20/01/2011

Mentira

Mentiras são

enganos e trapaças

que não querem

aparecer

14/01/2011

Café da manhã

Você me toma de assalto
Também me toma por boba
Boca aberta esperando
Servir seu café na cama...

Você me tomou à noitee
Bebi seu amargo fel
Na taça que me oferece

Geléia, pão e mel

Como sempre fica esperando
Tomar-me pela manhã
Mesmo que à noite, nem saibas
Não sonhei mais com você

Você me toma de susto
Você me toma por tola
Eu bebo seu amargo fel

Geléia com pão e mel...

Você me toma os sentidos
Você me toma de assaldo
Você me toma por boba
Sem mesmo nem eu acordar

Na taça que me oferece:

Geléia, pão e fel!

O que há?

o que há
que há
poema feito
desfeito
que não diz
o que quer
dizer?
o que há
poesia
sem ser ?
o poeta cansado
do poema
se desfez...!
[28.02.82]







Casulo

Fecho a porta, impulso inconsciente
De impedir qualquer interferência
Gesto vago, silencioso, deprimente
Autômata à procura da luz.

Escondo a cara, o olho, a vontade
Apago o provável amanhecer
Protejo minha alma, total disfarce
Escuro tempo desse meu anoitecer...

Nem percebo que a distância desse amor
Foi generosa ao meu eterno pensar
Permitindo o sossego desa mente
Que tem forças, ainda, para cantar.

Pois é canção de belas borboletas
Dispersas revoadas a procurar
Flores, árvores, plenas primaveras
Polens prontos para o acasalar...

31/12/2010

Resgate

Chuva fina cai noite e dia
vento forte corta coração
nem inverno é tempo
quem diria...
aliviar tamanha solidão!

estação sem plantar
nem colher
terra encerrado ciclo
pensamento voando
a reviver
amores declarados - ou não ditos

onde estão palavras ternas
amedrontadas se foram sem dizer
ser real aquela primavera
bem maior é esse entardecer?


ah! amores onde foram fugitivos
andarilhos ao acaso sem saber
nesta porta bateram em abrigo
deixando, apenas, versos de sofrer


não esqueçam amores distraídos
ser sincera essa declaração
em querer um entre todos
seguir o mesmo caminho então...

só quem sente ou sentiu tamanha dor
pode entender esse sentimento
que por consolo insiste em fazer
deitar letras em todo o firmamento...


ah! amores fugidios distraídos
partem sem piedade e se vão
como senhores egoístas e vorazes
centrados apenas nos desejos seus


ah! amores fugidios, distraídos
mesmo não me tendo mais amor
lembro todos, pois sem eles não teria
música triste prá cantar então


se amor fosse sempre troca igual
ninguém teria permissão para sonhar
nem pensamento perdido na janela
o infinito poderia contemplar...


enquanto o homem for capaz de ser
só puro amor, só feito para amar
tem esperança esse mundo viver
com mais flores em desabrochar

quisera ser como a eternidade
de amor em amores, só encantar
pois se há Deus esse deu ao homem
e só a ele capacidade de amar...

ah! amores! que tamanho engano
na partida deixar outro amor ficar...?

ah! amor fugidio que tristeza
vejo meu espelho nesse teu olhar
que não cuidou da semente que plantou
e nem um fruto colherá desse pomar...


que esses versos sirvam como ensinamentos
que para que o próximo amor chegar
com mais zelo e maior encantamento...


(poderia ficar horas relembrando
dos prazeres como agora estou
sentindo mãos quentes afagando
meus suspiros entre os lençóis teus)

ah! amor como o tempo é passado
podemos um dia resgatar?
não voltando apenas deixaremos
a quem amamos eterno recordar...

pensamento

vão da janela

- suga meu pensamento -
entreaberto
chega perto
mais perto
o vento
vem
entra
sai
leva e traz
meu pensar
lento!

Andanças

Deslizam fáceis palavras escritas
Escoam justapostas ao pensamento
São besouros acasalados
Criando versos de verão

Caem letras nessas linhas retas
Descansadas esperando amantes
Idéias em noites de chuva fina
Tardes quentes de verões ausentes

Arco-íris
Na cidade de Porto Alegre
Abrigando palavras apreendidas
Formando dicionário imaginário
Esquecido na gaveta do armário


Surgem sinais

Dúvidas
De sim
E... não